Eveline


...............Bem, hoje é  O Dia Nacional da Poesia e blá, blá, blá. Como disse no meu twitter, dia de poesia é todo dia. O que importa é que ela está por aí, espalhada ou escondida nas esquinas das entrelinhas. Difícil às vezes é percebê-la em meio a vida que levamos. A vida [muitas vezes] se encarrega de roubar o nosso tempo e o nosso olhar para o que é delicado, ou para aquelas coisas que expelem simples beleza. A gente vive sendo engolido pelo tempo. Essa é a verdade.
...............Sobre poesia, sinceramente não tenho a mínima paciência pra discutir ou analisar poemas. Eu apenas os leio, os sinto e depois vejo se gostei ou não. O meu olhar em cima de um poema é simples e o simples é o que me vem de dentro. Basta.
...............Anyway, minha passagem por aqui é rápida. Vim deixar qualquer coisa e qualquer coisa hoje é poesia. Poderia deixar aqui um poema de qualquer poeta brasileiro famoso e tal [e a há tantos que gosto] , mas prefiro deixar um soneto de Shakespeare que gosto muito, muito, muito! Confesso que conheço mais seus sonetos do que suas peças. A estas preciso ainda dedicar um tempo. Mas é verdade que não tenho pressa. Gosto muito mais de ler contos e crônicas do que qualquer outra coisa. Deixo aqui então o Soneto XXIII, um dos que li primeiramente no ano de 1996, ano que deixei de ser analfabeta em Shakespeare.   

  




Sonet XXIII

As an unperfect actor on the stage,
Who with his fear is put besides his part,
Or some fierce thing replete with too much rage,
Whose strength's abundance weakens his own heart.
So I, for fear of trust, forget to say
The perfect ceremony of love's rite,
And in mine own love's strength seem to decay,
O'ercharged with burden of mine own love's might.
O, let my books be then the eloquence
 And dumb presagers of my speaking breast,
 Who plead for love and look for recompense,
 More than that tongue that more hath more express'd.
  O! learn to read what silent love hath writ:
 To hear with eyes belongs to love's fine wit.

Soneto XXIII  (Tradução de Ivo Barroso)

Como imperfeito ator que em meio à cena
O seu papel na indecisão recita,
Ou como ser violento em fúria plena
A que o excesso de forças debilita;
Também eu, sem confiança em mim, me esqueço
No amor de os ritos próprios recitar,
E na forca com que amo me enfraqueço
Rendido ao peso do poder de amar.
Oh! sejam pois meus livros a eloquência,
Áugures mudos de expressivo peito,
Que amor implorem, peçam recompensa,
mais do que a voz que muito mais tem feito.

Saibas ler o que o mudo amor escreve,
Que o fino amor ouvir com os olhos deve.



...............Bons cafés, e que a vida nos deixe ficar de olhos abertos para o que é simples, mas que às vezes se perde nas esquinas das horas. 


Eveline.
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Como estava o Café? Alguma Palavra a deixar?