Eveline
Sometimes,  it seems that we are all living on the legde. 

Living on the Ledge: A Bird's-Eye View
..............Acordei neste domingo com vontade de escrever por aqui e antes que começasse a enveredar na escrita acadêmica, decidi escrever só um pouquinho sobre o que mexe comigo esta manhã, ou quase tudo.  
..............Durante o meu café da manhã,  assisti a um episódio da minha série de Tv preferida, A Sete Palmos [Six Feet Under] e acabei reassistindo, nos extras, esse vídeo chamada da terceira temporada.
 ..............Na verdade, o vídeo é um passeio semiótico. Uma das coisas mais bem feitas que já na vida e digo sem um pingo de exagero. Pois é, lembro-me de como ele me destroçou por dentro a primeira vez que vi...  há mais ou menos um ano.  Fiquei ali, sentada em frente à TV durante uns seis minutos sem saber direito o que pensar ou sentir, e mexida demais por dentro, eu só chorava. Para completar, Living on the Ledge:A Bird's-Eye ViewVivendo na Borda: A visão através de um olhar de um pássaro, tem um casamento perfeito com a música "A Rush Of Blood To The Head" do Coldplay.  O vídeo e a série de TV são do diretor Allan Ball, também diretor da série "True Blood".   
.............. O vídeo tem cores frias, o cinza e o preto se sobressaem marcando  o momento pesado que cada um vive.  O rosa que aparece no avental de uma personagem e na flor que a outra segura representam um pouco de leveza que há em tudo ali. O azul, presente na cor do céu, dá uma ideia de conforto. Apesar de tudo há ainda a possibilidade de mudança e calma acima “da cabeça” de todos, desmaterializando o peso das outras cores.
.............. O vídeo dança em significações, dureza, beleza e sensibilidade. O corvo, primeiro elemento que aparece no vídeo, observa e anuncia um tempo ruim e apresenta as personagens que estão na borda, num determinado momento que a vida atropela. [Ou é a vida que é atropelada?] Cada um com um problema diferente... perdas de diferenciadas formas que os deixam desestruturados, dilacerados com a possibilidade de mudança e confusos para saber para que lado ir... ou não ir, questionam-se a cada momento; Seguir? Cair? Jogar-se? Desistir? Sorrir diante dos fatos? Dançar? Tentar? Tomados por uma mistura de sentires, a vida de cada um ali está prestes a desaguar em algo desconhecido. Há uma linha fina que perpassa entre o que é ruim e o que pode ser bom.  A temporada é marcada pelo caos. Todas personagens à flor da pele, tomados por mudanças bruscas e pela dificuldade de lidar com estas. 
.............. E lá estão as personagens, na borda, no alto, rodeados de prédios separados por espaços que se tornam  abismos.   Alguns atravessam, passam por essa borda, saem dela. Outros não, continuam ali, simplesmente contidos pela dificuldade de mudanças e amarrados a uma falsa zona de conforto.  E como é difícil mudar não?  Como é difícil decidir para que lado ir! Às vezes, temos tudo ali, bem na nossa frente, convidando-nos a algo melhor e simplesmente, por algo que não conseguimos bem explicar, ficamos ali, no mesmo lugar, sofrendo com a mesmice. Acredito que no fundo, mesmo que a gente não entenda, há algum lucro nisso. Qual? Não me perguntem. Tendência à repetição? Medo do novo? Não perceber que se pode viver um tempo melhor? Sem Freud ou com Freud, talvez nunca saibamos.  Assistindo ao vídeo, notamos que o medo nos faz ficar na borda, há riscos. Podemos escorregar ao ir, ao tomar alguma decisão, mas também há o deleite que se encontra ao ir além do que já conhecemos, em ficar nas alturas. É assim, alguns conseguem dançar a beira de um abismo, outros dão meia volta, outros ainda não percebem que há um abismo bem diante dos olhos.  Há ainda alguns que preferem colocar a poeira debaixo de um tapete que não tem mais espaço, varrer um lixo que é interminável e não deixar que a poeira se vá de vez.
.............. Uma vida cheia de abismos, dúvidas, dureza, medo de mudança, sensibilidade, leveza, fragilidade, possibilidade e beleza.  É essa a vida que as personagens de A Sete Palmos nos mostram nesse vídeo de menos de dois minutos. A representação do que é um abismo no vídeo, nos faz pensar que o abismo pode ser [o medo]  [d] a possibilidade de mudança ou até o lugar onde já estamos.
.............. Gostaria de escrever mais sobre ...rende uma artigo, não? =)
.............. Independente de análise, o vídeo... as imagens falam por si só e talvez a beleza e riqueza dele esteja já aí, sem que nada precise ser dito de fato.
.............. Bons cafés e lembrem-se, às vezes, os abismos somos nós.
Eveline. 
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4 Responses
  1. Anônimo Says:

    Cafe sempre muito quente por aq!


  2. Anônimo Says:

    Os abismos sempre se fazem presente em nossos cafés solitários. A coisa mais desconcertante é deixar-se se conhecer um abismo aleio de um desconhecido. Eu adorei a postagem.


  3. Zélia Says:

    Falando em imagens e cores, tudo muito bonito aqui. Eu adoro cores. Lápis de cor é uma coisa que muitos podem dizer que é algo que "não me pertence mais". No entanto, lápis colorido é um dos mimos que mais me satisfazem. (Isso é Lacan quem explica! :D)

    E, falando e pensando e criando cores, cheguei a conclusão de que a vida, o mundo é como uma grande caixa de lápis de cor. As cores mais escuras representam os momentos difíceis que passamos: os medos, inseguranças, o estresse, o cansaço, as obrigações... As cores claras representam o bom da vida: o amor, festa, alegria, música, filme, literatura, doces... Já parou para pensar o que mais aparece em nossas vidas?! A nossa gigantesca caixa de lápis colorido tem muitos mais cores claras que escuras. ;)


  4. E quantas vezes a vida nos atropela? e quantas vezes somos atropelados sabendo cada ritmo, cada estrondo, sabendo exatamente que o jogo começou ali e que nunca acaba...
    Adorei as impressões...sempre muito precisas.


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Como estava o Café? Alguma Palavra a deixar?