Selva de pedra poética, paixão constante, turbilhão, tom de cinza mais bonito, pedaço de mim, poesia concreta, deusa da mais bonita solidão, trem das onze, [in]completa tradução, meu inverno, banquinho do laço vermelho do parque Trianon, signos em branco e preto que emanam cor, meu caos e cais anual, minha paz em cinco dias, Consolação e Paraíso, minha ordem e desordem interna, sempre saudade, atrolho de Caio Fernando Abreu, cruzamentos poéticos de Caetano, literatura marginal de Ferréz, cidade que Criôlo diz não existir amor, "Porém com todo defeito (com disse Tom Zé) / Te carrego no meu peito".
Sobre as minhas atmosferas de ontem/hoje de madrugada...B.B. King tocando, uma chuva forte e linda que não para, páginas de livro, chá de flor, rabiscos de um poema do lado de dentro, cachorro deitadinho, ensaio de frio, árvore piscando, reticências internas e só um pensamento, daqueles que não podia nem pe[n]sar, mas que o blues me lembra, me faz ter.
{Cazuza}
Quando
Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
[Álvaro de Campos]
Escrito em 11/07/2015

"l guess you know what kind of peoplel'm talking about..."
Gosto da chuva, gosto de prestar atenção nela. Hoje acordei bem cedo e a primeira coisa que percebi foi que havia uma chuva forte caindo e o céu cinza mudo. Então houve aquele momento que lembrei do meu filme preferido. Sim, custou muito pra elegê-lo mas a verdade é que 'Minha Vida sem Mim' é meu filme preferido. Há uma razão pra isso. Sim, há, mas não sei explicar muito bem e acho que nem preciso. Eu só sei que ele é meu preferido por um monte de coisa que tem dentro dele. Bem, a questão é... está chovendo. E por um monte de motivos, que não interessam muito a um blog, posso dizer que a chuva traz um monte de coisas para o lado de dentro. Sensações vêm junto com a chuva, parece que tudo que se traduz, é traduzido através do todo da chuva e de tudo que tem nela: o cheiro, o gosto, a sensação de quando ela bate no corpo da gente ou do lado de dentro. Bem, se há algo que traduz todas sensações que são os dois minutos iniciais do filme "My Life Without me". São os dois minutos iniciais do filme, na verdade, os menos de dois minutos iniciais mais bonitos que já vi em um filme. Segue abaixo o vídeo legendado e logo depois está o texto em inglês, que é mais bonito ainda. Acho que não preciso de mais palavras, pois o vídeo traduz o que queria escrever.
Olho pra o outro lado e construo/sinto coisas.
O lugar é tão verde, cheio de caminhos, cheio de passarinhos e tem um cheiro tão bom! Faz frio e também por isso fico feliz. Aqui, me concentro com tanta leveza que nem escuto mais os carros ou helicópteros na Paulista.
Pego um café, o preferido daqui que é logo ali na esquina, e trago pra cá. Respiro, leio um pedaço de Lavoura Arcaica, "Pondo folhas vermelhas em desassossego, centenas de feiticeiros desceram em caravana, dos altos dos galhos, viajando com o vento...".
Penso em tanto. Por aqui, as pessoas correm, passeiam com os cachorros, uns passeiam com seus companheiros, outros abrem o jornal, outros apenas respiram. Ando mais. Tiro fotos, leio mais. Algumas pessoas, assim como eu, apenas sentam nos bonitos banquinhos de madeiras que dão charme ao lugar. Tem um banco desses com uma fita vermelha amarrada no pé. Fico tentando imaginar em que contexto ela foi parar lá. Talvez exista uma história bonita amarrada ali.Respiro (suspiro? ). Escuto uma música.
O dia está bonito, céu bem azul, nuvens brancas espaçadas, o sol parece querer gritar, mas o frio de 16 grau não o deixa. O café está esfriando. Como disse, o céu está bonito, mas segundo a previsão do tempo, talvez, chova ainda hoje. Ou daqui uns dias, em outros lugares que eu estiver. E sim, por isso, talvez eu precise de algo amarelo pra me proteger.
There's Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.
[ Emily Dickinson]
O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.
[ Emily Dickinson, tradução de Jorge de Sena]
Amanheço,
quarto escuro, música tocando baixinho, dizendo “Let me come over I can waist your time I'm
bored. Invite me to the war every night of the summer”…Silence is all we dread.
There's Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.
(Emily Dickinson traduzido por Jorge de Sena)
E o domingo anuncia a mudança que virá esta semana. E o que será que muda na próxima quarta - feira? A defesa da minha dissertação está próxima e o coração sente aquele misto de felicidade e tensão. Demorei, mas consegui terminar... além disso fico feliz em ter terminado mais apaixonada ainda pelas teorias que escolhi. Bem, semana que vem escrevo mais, agora vou começar a arrumar minha mala, pois a vida e o coração merecem uma trégua. Quinta-feira, horas depois da minha defesa, viajo pra querida São Paulo e para Araraquara, participo do I Seminário Internacional de Semiótica da Unesp.
A vida segue.
Bons cafés!
Eveline.
Sometimes, it seems that we are all living on the legde.
Fico muito agradecida a Deus e aos caminhos que tenho traçado. Demorei a voltar pra vida acadêmica, mas fui contemplada com dois ótimos orientadores até então. Rosangela Neres e Luciano Justino são exemplos de ótimos professores e grandes orientadores. Tenho aprendido muito com eles, não só como aluna, mas com eles também aprendo a ser uma melhor professora a cada dia.
Meu ano começou de fato em março e ainda estou me arrumando diante de uma série de coisas. Mas é assim, a vida e tempo correm demais... e eu to no meio disso tudo. Cada dia aprendo mais e tento me adaptar a essa coisa chamada tempo e a essa coisa grandiosa e sagrada chamada vida.
Tempo de almoço acabando...pegar a estrada novamente.
Até.








