{Cazuza}
Quando
Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.
O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.
Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei
Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu,
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente.
[Álvaro de Campos]
Escrito em 11/07/2015

"l guess you know what kind of peoplel'm talking about..."
Gosto da chuva, gosto de prestar atenção nela. Hoje acordei bem cedo e a primeira coisa que percebi foi que havia uma chuva forte caindo e o céu cinza mudo. Então houve aquele momento que lembrei do meu filme preferido. Sim, custou muito pra elegê-lo mas a verdade é que 'Minha Vida sem Mim' é meu filme preferido. Há uma razão pra isso. Sim, há, mas não sei explicar muito bem e acho que nem preciso. Eu só sei que ele é meu preferido por um monte de coisa que tem dentro dele. Bem, a questão é... está chovendo. E por um monte de motivos, que não interessam muito a um blog, posso dizer que a chuva traz um monte de coisas para o lado de dentro. Sensações vêm junto com a chuva, parece que tudo que se traduz, é traduzido através do todo da chuva e de tudo que tem nela: o cheiro, o gosto, a sensação de quando ela bate no corpo da gente ou do lado de dentro. Bem, se há algo que traduz todas sensações que são os dois minutos iniciais do filme "My Life Without me". São os dois minutos iniciais do filme, na verdade, os menos de dois minutos iniciais mais bonitos que já vi em um filme. Segue abaixo o vídeo legendado e logo depois está o texto em inglês, que é mais bonito ainda. Acho que não preciso de mais palavras, pois o vídeo traduz o que queria escrever.
Olho pra o outro lado e construo/sinto coisas.
O lugar é tão verde, cheio de caminhos, cheio de passarinhos e tem um cheiro tão bom! Faz frio e também por isso fico feliz. Aqui, me concentro com tanta leveza que nem escuto mais os carros ou helicópteros na Paulista.
Pego um café, o preferido daqui que é logo ali na esquina, e trago pra cá. Respiro, leio um pedaço de Lavoura Arcaica, "Pondo folhas vermelhas em desassossego, centenas de feiticeiros desceram em caravana, dos altos dos galhos, viajando com o vento...".
Penso em tanto. Por aqui, as pessoas correm, passeiam com os cachorros, uns passeiam com seus companheiros, outros abrem o jornal, outros apenas respiram. Ando mais. Tiro fotos, leio mais. Algumas pessoas, assim como eu, apenas sentam nos bonitos banquinhos de madeiras que dão charme ao lugar. Tem um banco desses com uma fita vermelha amarrada no pé. Fico tentando imaginar em que contexto ela foi parar lá. Talvez exista uma história bonita amarrada ali.Respiro (suspiro? ). Escuto uma música.
O dia está bonito, céu bem azul, nuvens brancas espaçadas, o sol parece querer gritar, mas o frio de 16 grau não o deixa. O café está esfriando. Como disse, o céu está bonito, mas segundo a previsão do tempo, talvez, chova ainda hoje. Ou daqui uns dias, em outros lugares que eu estiver. E sim, por isso, talvez eu precise de algo amarelo pra me proteger.
There's Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.
[ Emily Dickinson]
O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.
[ Emily Dickinson, tradução de Jorge de Sena]
Amanheço,
quarto escuro, música tocando baixinho, dizendo “Let me come over I can waist your time I'm
bored. Invite me to the war every night of the summer”…Silence is all we dread.
There's Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.
(Emily Dickinson traduzido por Jorge de Sena)
E o domingo anuncia a mudança que virá esta semana. E o que será que muda na próxima quarta - feira? A defesa da minha dissertação está próxima e o coração sente aquele misto de felicidade e tensão. Demorei, mas consegui terminar... além disso fico feliz em ter terminado mais apaixonada ainda pelas teorias que escolhi. Bem, semana que vem escrevo mais, agora vou começar a arrumar minha mala, pois a vida e o coração merecem uma trégua. Quinta-feira, horas depois da minha defesa, viajo pra querida São Paulo e para Araraquara, participo do I Seminário Internacional de Semiótica da Unesp.
A vida segue.
Bons cafés!
Eveline.
Sometimes, it seems that we are all living on the legde.
Fico muito agradecida a Deus e aos caminhos que tenho traçado. Demorei a voltar pra vida acadêmica, mas fui contemplada com dois ótimos orientadores até então. Rosangela Neres e Luciano Justino são exemplos de ótimos professores e grandes orientadores. Tenho aprendido muito com eles, não só como aluna, mas com eles também aprendo a ser uma melhor professora a cada dia.
Meu ano começou de fato em março e ainda estou me arrumando diante de uma série de coisas. Mas é assim, a vida e tempo correm demais... e eu to no meio disso tudo. Cada dia aprendo mais e tento me adaptar a essa coisa chamada tempo e a essa coisa grandiosa e sagrada chamada vida.
Tempo de almoço acabando...pegar a estrada novamente.
Até.
............... Sobre a origem do nome, dizem que vem do francês e é uma variação de Eva, aquela que tem/dá a vida. Eu já li outras coisas também...que vem do hebraico, etc.
............... Bem, apesar de eu gostar muito do meu nome, ele me frustou de alguma forma há tempos atrás. Quando eu era adolescente eu morria de vontade que existisse um perfume ou uma música chamada Eveline, mas não, nada, nadinha com meu nome.
............... Quando comecei a fazer letras, lembro de uma tarde que um colega de curso virou pra mim e disse: - Sabia que existe um conto com seu nome? Pronto, meus olhinhos matutos brilharam. Ele disse que era um conto de um escritor inglês. Na época, eu ainda estudante de Língua Portuguesa e recém chegada ao curso, nem sabia quem era o tal James Joyce. Logo pensei: "O nome desse conto deve ser Evellyn e na tradução colocaram Eveline." Felizmente eu estava errada. O nome no conto original é Eveline mesmo e está no livro Dubliners (1914).
............... O conto [Leiam aqui] é muito bom. Dentre outras coisas, mexe com questões [que eu gosto] relacionadas às cores e cheiros. O conto também trata das dificuldades que a gente encontra na hora que a vida nos propõem uma mudança, uma virada. O novo encanta, mas assusta [e muito], não é mesmo? Bem, não vou dá spoilers do conto não. =) Tentem ler, é um conto muito agradável. E ele começa assim:
............... Bem, depois de achar um conto com o meu nome, há mais 15 anos atrás, eu nunca achei mais nada. Ontem à noite, pouco antes de dormir, eu acabei achando no youtube uma música! =) Fiquei meio boba, pois lembrei disso tudo que acabei de escrever.
............... Pois bem, a música é de uma banda americana chamada Nickel Creek [eu nunca eu nunca tinha escutado falar]. Aí está!
(Vinicius de Moraes)
Ouçam aqui: (Vinicius e Bethania)
De manhã escureço
De tarde anoiteço
De noite ardo.
A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Como eu disse ontem no meu twitter, eu estava tentando uma conexão aqui no hotel para escrever sobre o meu primeiro dia em Gravatá (PE), mas não deu certo, só consegui hoje.
Anyway, cá estou eu, em lugar super diferente dos quais costumo estar. Sou definitivamente amante da vida urbana. =)
Vim pra cá não só para fechar esse quase estado de férias que me toma, mas também para me testar diante desse ambiente rural. Estou me sentindo de fato numa fazenda. Têm, obviamente, alguns bichos por aqui e como vocês podem ver, estou adorando dar comida às ovelhas. =) (Eu sou lesa, viu?)Tenho gostado mesmo é de ficar sentada na frente do lago. Tem sido meu canto preferido aqui. O mudo parece, por uns instantes que é só isso. Tão bom, tão bom.
Então, vim também pra cá para tentar organizar algumas coisas do lado de dentro de mim. Sabe quando você precisa se afastar de tudo para reorganizar as coisas? Eu precisva respirar.
Sei que vai ser pouco tempo, mas ainda assim eu preciso .É que eu sou mesmo cheia de rituais.Preciso sempre fechar as coisas, dentro e fora de mim com algum acontecimento, pode ser o mais bobo que ele seja... uma viagem, um texto, um encontro com pessoas queridas, um copo de vinho... eu preciso fechar esse mês de julho.
É isso...primeiros dias de agosto eu volto para a estrada, para sala de aula e para a vida acadêmica, e de alguma forma tudo tem que [ao menos parecer] estar em ordem para que a rotina seja mais leve.
Estou fazendo isso aqui, pensando em algumas coisas, naquelas que doem, naquelas que fazer rir, nas que silenciam.
Tenho lido também. Finalmente comecei a ler "Entrevistas", livro da editora rocco que reúne algumas entrevistas que Clarice Lispector fez no final dos anos 60. Ela precisva de grana para complementar sua renda e acabou aceitando entrevistar algumas celebridades da época, incluindo Lygia Fagundes Telles, Chico Buarque, Fernado Sabino, etc.
Bem, vou indo agora... a preguiça bateu e o frio [amo!] está grande aqui.
Boas viagens, bons ventos e bons cafés...
Eveline Alvarez.









