Eveline


"l guess you know what kind of peoplel'm talking about..." 



Gosto da chuva, gosto de prestar atenção nela. Hoje acordei bem cedo e a primeira coisa que percebi foi que havia uma chuva forte caindo e o céu cinza mudo. Então houve aquele momento que lembrei do meu filme preferido. Sim, custou muito  pra elegê-lo mas a verdade é que  'Minha Vida sem Mim' é meu filme preferido. Há uma razão pra isso. Sim, há, mas não sei explicar muito bem e acho que nem preciso. Eu só sei que ele é meu preferido por um monte de coisa que tem dentro dele. Bem, a questão é... está chovendo. E por um monte de motivos, que não interessam muito a um blog,  posso dizer que a chuva traz um monte de coisas para o lado de dentro. Sensações vêm junto com a chuva, parece que tudo que se traduz, é traduzido através do todo da chuva e de tudo que tem nela: o cheiro, o gosto, a sensação de quando ela bate no corpo da gente ou do lado de dentro. Bem, se há algo que traduz todas sensações que são os dois minutos iniciais do filme "My Life Without me".   São os  dois minutos iniciais do filme, na verdade, os menos de dois minutos iniciais mais bonitos que já vi em um filme. Segue abaixo o vídeo legendado e logo depois está o texto em inglês, que é mais bonito ainda. Acho que não preciso de  mais palavras, pois o vídeo traduz o que queria escrever.



This is you.                 
Eyes closed, 
out in the rain.   
You never thought you'd be doing 
something like this.             
You never saw yourself as,                 
l don't know
how you'd describe it, as...                 
like one of those people                  
who like looking up at the moon,                  
or who spend hours gazing at
the waves or the sunset or...                    
l guess you know what kind of people
l'm talking about                   
Maybe you don't                  
Anyway, you kinda you kinda 
like it being like this,            
fighting the cold                  
and feeling the water seep
through your shirt 
and getting through to your skin.                
And the feel of the ground                  
growing soft beneath your feet                    
and the smell. 
And the sound of the rain 
hitting the leaves. 
All the things they talk about 
in the books that you haven't read.
This is you.
Who would have guessed it?.
You.



Boas chuvas  e bons cafés...

Eveline. 
Eveline


Bom dia. Que bom acordar cedo e aproveitar o dia. E finalmente sentei em meu lugar preferido de SP, o parque Trianon Masp. Aqui é tipo um jardim secreto em plena Avenida Paulista. Gosto tanto que nem sei... É um lugar que tudo para em mim, menos o que está do lado de dentro,  e essa parte que não para, acalma, muda de tom, sinto,[re]ciclo. 
Olho pra o outro lado e construo/sinto coisas.
O lugar é tão verde, cheio de caminhos, cheio de passarinhos e tem um cheiro tão bom! Faz frio e também por isso fico feliz. Aqui, me concentro com tanta leveza que nem escuto mais os carros ou helicópteros na Paulista. 
Pego um café, o preferido daqui que é logo ali na esquina, e trago pra cá. Respiro, leio um pedaço de Lavoura Arcaica, "Pondo folhas vermelhas em desassossego, centenas de feiticeiros desceram em caravana, dos altos dos galhos, viajando com o vento...".
 Penso em tanto. Por aqui, as pessoas correm, passeiam com os cachorros, uns passeiam com seus companheiros, outros abrem o jornal, outros apenas respiram. Ando mais. Tiro fotos, leio mais. Algumas pessoas, assim como eu, apenas sentam nos bonitos banquinhos de madeiras que dão charme ao lugar. Tem um banco desses com uma fita vermelha amarrada no pé. Fico tentando imaginar em que contexto ela foi parar lá. Talvez exista uma história bonita amarrada ali.Respiro (suspiro? ). Escuto uma música. 
O dia está bonito, céu bem azul, nuvens brancas espaçadas, o sol parece querer gritar, mas o frio de 16 grau não o deixa. O café está esfriando. Como disse, o céu está bonito, mas segundo a previsão do tempo, talvez, chova ainda hoje. Ou daqui uns dias, em outros lugares que eu estiver. E sim, por isso, talvez  eu precise de algo amarelo pra me proteger. 





 Eveline.  12:05 h



Eveline
Silence is all we dread.
There's Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.


[ Emily Dickinson]

O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.

[ Emily Dickinson, tradução de Jorge de Sena]
Eveline


É domingo, mas acordei cedo com a pretensão de colocar em dia todas as pendências.  A gente sempre acha que tem um dia que pode arrumar tudo, por dentro e por fora, mas a verdade é que, às vezes, as entrelinhas das horas não deixam. Hoje, o que não me deixou começar a ordenar tudo [Não, não sou virginiana]  é essa chuva bonita caindo pela minha janela. Não dá pra se isentar desse barulho que acalenta tudo por dentro.  O cair da chuva parece um estado que faz com que o tempo pare e que nesse tempo a gente pode sentir e fazer tudo o que quiser, como se existisse uma licença natural pra isso.  Vou pra janela e simplesmente fico lá, longos minutos a fio. O café esfria e nem dou conta. Penso em tanta coisa que o que não cabe mais em mim mando a chuva levar com ela. Nunca soube fazer preces bonitas, mas acho que fiz uma hoje, mesmo que em silêncio, mesmo sem saber se a chuva ouviu.  A chuva  lê a gente,  [ou seria o contrário?] desvira cada palavra truncada do lado de dentro, mesmo que elas se desvirem da maneira mais silenciosa e que continuem ali, de alguma forma, escritas em outra cor, no canto delas.   É então que o barulho da chuva vai dialogando com as músicas do B.B. King.  A chuva é blues,  mas  também é blue. Daquele tipo de azul que é leve, tímido ou que parece querer gritar em neon.  Com o blues e com as palavras [des] truncadas, a chuva transparente  agarra o azul. E, o que importa, no final das contas, não são as pendências do lado de fora e nem  do lado de dentro, mas que neste domingo, aparentemente qualquer de junho, a chuva, B.B. King, uma prece e  café frio  pintaram tudo de Blue [s].  
So, let it rain, let it rain...  =) 
Eveline.
Eveline


Amanheço, quarto escuro, música tocando baixinho, dizendo  “Let me come over I can waist your time I'm bored. Invite me to the war every night of the summer”…

Café quente, cachorro querendo brincar.  Há um falso outono por aqui e por vários motivos não gosto de verão. Há também um certo inverno ausente que me aquece. Há uma música que não para de tocar do lado de dentro e ela tem cor indefinida. Há a vontade colorir que amanheceu comigo.
Queria que o relógio retrocedesse, que o que é dia virasse noite. A noite parece sempre me guardar e me aguardar. Às vezes, as horas correm demais, e corro pra o lado de dentro do que não sejam os minutos. A direção dos meus ponteiros parece não ser a mesma do que o tempo estabelece.
 Escrevo, mas quero linhas que ainda não vieram, que ainda dançam no ar, perdidas com palavras desencontradas que esperam um arranjo como o de quase ser uma música. Vivo entre palavras e sons, cores e sabores. É assim que horas, cheia de entrelinhas, me atravessam,  “looking for somewhere to stand and stay”.
A escrita me puxa, mas esse relógio distorcido chamado vida não deixa, parece que a cada palavra escrita, um ponteiro corre querendo, desesperadamente, encontrar o outro. E então, vem uma imagem: de qualquer coisa que alivia, de coisa azul, de jardim, de sorriso, de piquenique em parque em fim de tarde de outono. Então, “hang your holiday rainbow lights in the garden and I'll...I'll bring a nice icy drink to you…"

Eveline.
Eveline
Silence is all we dread.
There's Ransom in a Voice –
But Silence is Infinity.
Himself have not a face.

O Silêncio é o que tememos.
Há um Resgate na Voz –
Mas Silêncio é Infinidade.
Não tem sequer uma Face.


  (Emily Dickinson traduzido por Jorge de Sena)
Eveline

E o domingo anuncia a mudança que virá esta semana. E o que será que muda na próxima quarta - feira? A defesa da minha dissertação está próxima e o coração sente aquele misto de felicidade e tensão. Demorei, mas consegui terminar... além disso fico feliz em ter terminado mais apaixonada ainda pelas teorias que escolhi. Bem, semana que vem escrevo mais, agora vou começar a arrumar minha mala, pois a vida e o coração merecem uma trégua. Quinta-feira, horas depois da minha defesa, viajo pra querida São Paulo e para Araraquara, participo do I Seminário Internacional de Semiótica da Unesp.
A vida segue.

Bons cafés!

Eveline.

Eveline
Sometimes,  it seems that we are all living on the legde. 

Living on the Ledge: A Bird's-Eye View
..............Acordei neste domingo com vontade de escrever por aqui e antes que começasse a enveredar na escrita acadêmica, decidi escrever só um pouquinho sobre o que mexe comigo esta manhã, ou quase tudo.  
..............Durante o meu café da manhã,  assisti a um episódio da minha série de Tv preferida, A Sete Palmos [Six Feet Under] e acabei reassistindo, nos extras, esse vídeo chamada da terceira temporada.
 ..............Na verdade, o vídeo é um passeio semiótico. Uma das coisas mais bem feitas que já na vida e digo sem um pingo de exagero. Pois é, lembro-me de como ele me destroçou por dentro a primeira vez que vi...  há mais ou menos um ano.  Fiquei ali, sentada em frente à TV durante uns seis minutos sem saber direito o que pensar ou sentir, e mexida demais por dentro, eu só chorava. Para completar, Living on the Ledge:A Bird's-Eye ViewVivendo na Borda: A visão através de um olhar de um pássaro, tem um casamento perfeito com a música "A Rush Of Blood To The Head" do Coldplay.  O vídeo e a série de TV são do diretor Allan Ball, também diretor da série "True Blood".   
.............. O vídeo tem cores frias, o cinza e o preto se sobressaem marcando  o momento pesado que cada um vive.  O rosa que aparece no avental de uma personagem e na flor que a outra segura representam um pouco de leveza que há em tudo ali. O azul, presente na cor do céu, dá uma ideia de conforto. Apesar de tudo há ainda a possibilidade de mudança e calma acima “da cabeça” de todos, desmaterializando o peso das outras cores.
.............. O vídeo dança em significações, dureza, beleza e sensibilidade. O corvo, primeiro elemento que aparece no vídeo, observa e anuncia um tempo ruim e apresenta as personagens que estão na borda, num determinado momento que a vida atropela. [Ou é a vida que é atropelada?] Cada um com um problema diferente... perdas de diferenciadas formas que os deixam desestruturados, dilacerados com a possibilidade de mudança e confusos para saber para que lado ir... ou não ir, questionam-se a cada momento; Seguir? Cair? Jogar-se? Desistir? Sorrir diante dos fatos? Dançar? Tentar? Tomados por uma mistura de sentires, a vida de cada um ali está prestes a desaguar em algo desconhecido. Há uma linha fina que perpassa entre o que é ruim e o que pode ser bom.  A temporada é marcada pelo caos. Todas personagens à flor da pele, tomados por mudanças bruscas e pela dificuldade de lidar com estas. 
.............. E lá estão as personagens, na borda, no alto, rodeados de prédios separados por espaços que se tornam  abismos.   Alguns atravessam, passam por essa borda, saem dela. Outros não, continuam ali, simplesmente contidos pela dificuldade de mudanças e amarrados a uma falsa zona de conforto.  E como é difícil mudar não?  Como é difícil decidir para que lado ir! Às vezes, temos tudo ali, bem na nossa frente, convidando-nos a algo melhor e simplesmente, por algo que não conseguimos bem explicar, ficamos ali, no mesmo lugar, sofrendo com a mesmice. Acredito que no fundo, mesmo que a gente não entenda, há algum lucro nisso. Qual? Não me perguntem. Tendência à repetição? Medo do novo? Não perceber que se pode viver um tempo melhor? Sem Freud ou com Freud, talvez nunca saibamos.  Assistindo ao vídeo, notamos que o medo nos faz ficar na borda, há riscos. Podemos escorregar ao ir, ao tomar alguma decisão, mas também há o deleite que se encontra ao ir além do que já conhecemos, em ficar nas alturas. É assim, alguns conseguem dançar a beira de um abismo, outros dão meia volta, outros ainda não percebem que há um abismo bem diante dos olhos.  Há ainda alguns que preferem colocar a poeira debaixo de um tapete que não tem mais espaço, varrer um lixo que é interminável e não deixar que a poeira se vá de vez.
.............. Uma vida cheia de abismos, dúvidas, dureza, medo de mudança, sensibilidade, leveza, fragilidade, possibilidade e beleza.  É essa a vida que as personagens de A Sete Palmos nos mostram nesse vídeo de menos de dois minutos. A representação do que é um abismo no vídeo, nos faz pensar que o abismo pode ser [o medo]  [d] a possibilidade de mudança ou até o lugar onde já estamos.
.............. Gostaria de escrever mais sobre ...rende uma artigo, não? =)
.............. Independente de análise, o vídeo... as imagens falam por si só e talvez a beleza e riqueza dele esteja já aí, sem que nada precise ser dito de fato.
.............. Bons cafés e lembrem-se, às vezes, os abismos somos nós.
Eveline. 
Eveline
Meu dia começou tão cedinho hoje. Vim pra fria Campina Grande conversar com meu orientador sobre minha dissertação. Encaminhamos datas e leituras. Eu precisava de datas. Os prazos me engolem, me enervam, mas é fato que funciono bem diante deles. Vim pra cá e fico poucas horas. Volto pra João Pessoa daqui a pouco. Vim com o coração ansioso pra saber das coisas acadêmicas que me envolvem agora. Volto mais aliviada e certa que os próximos dois meses serão se muita dedicação e foco.
Fico muito agradecida a Deus e aos caminhos que tenho traçado. Demorei a voltar pra vida acadêmica, mas fui contemplada com dois ótimos orientadores até então. Rosangela Neres e Luciano Justino são exemplos de ótimos professores e grandes orientadores. Tenho aprendido muito com eles, não só como aluna, mas com eles também aprendo a ser uma melhor professora a cada dia.
Meu ano começou de fato em março e ainda estou me arrumando diante de uma série de coisas. Mas é assim, a vida e tempo correm demais... e eu to no meio disso tudo. Cada dia aprendo mais e tento me adaptar a essa coisa chamada tempo e a essa coisa grandiosa e sagrada chamada vida.
Tempo de almoço acabando...pegar a estrada novamente.
Até.
Eveline
...............Olá, pessoas que passam por aqui. Escrevo hoje sobre a minha relação com meu nome. Começo a dizer que não tenho o mínimo problema para admitir que eu ADORO o nome que tenho. Acho bonito e me soa bem. Fico feliz que EVELINE seja escrito sem enfeites, tipo "y'' , 'll' ou 'nn'. Gosto dele exatamente assim, simples.
............... Sobre a origem do nome, dizem que vem do francês e é uma variação de Eva, aquela que tem/dá a vida. Eu já li outras coisas também...que vem do hebraico, etc.
............... Bem, apesar de eu gostar muito do meu nome, ele me frustou de alguma forma há tempos atrás. Quando eu era adolescente eu morria de vontade que existisse um perfume ou uma música chamada Eveline, mas não, nada, nadinha com meu nome.
............... Quando comecei a fazer letras, lembro de uma tarde que um colega de curso virou pra mim e disse: - Sabia que existe um conto com seu nome? Pronto, meus olhinhos matutos brilharam. Ele disse que era um conto de um escritor inglês. Na época, eu ainda estudante de Língua Portuguesa e recém chegada ao curso, nem sabia quem era o tal James Joyce. Logo pensei: "O nome desse conto deve ser Evellyn e na tradução colocaram Eveline." Felizmente eu estava errada. O nome no conto original é Eveline mesmo e está no livro Dubliners (1914).
............... O conto [Leiam aqui] é muito bom. Dentre outras coisas, mexe com questões [que eu gosto] relacionadas às cores e cheiros. O conto também trata das dificuldades que a gente encontra na hora que a vida nos propõem uma mudança, uma virada. O novo encanta, mas assusta [e muito], não é mesmo? Bem, não vou dá spoilers do conto não. =) Tentem ler, é um conto muito agradável. E ele começa assim:


Estava sentada à janela, vendo a noite invadir a avenida. Sua cabeça inclinava-se contra as cortinas e em suas narinas estava o cheiro de cretone empoeirado. Estava cansada.

............... Bem, depois de achar um conto com o meu nome, há mais 15 anos atrás, eu nunca achei mais nada. Ontem à noite, pouco antes de dormir, eu acabei achando no youtube uma música! =) Fiquei meio boba, pois lembrei disso tudo que acabei de escrever.
............... Pois bem, a música é de uma banda americana chamada Nickel Creek [eu nunca eu nunca tinha escutado falar]. Aí está!


 Eveline grips the railing
As her lover calls her to the sea Aah, won't you sail with me She can't hear him just a step away From happiness and sanity bliss Drives her crazy
"Eveline, take care of your father, I care for you."
Her dying mother spoke to her too
Aah, Eveline stays.

............... Hoje pela manhã [ainda na minha matutice],  fui escutar a música novamente. Para minha surpresa, percebi que a mesma foi baseada no conto de James Joyce. Rsrsrsrs, ou seja, o cara "não desgrudou" dessa história esse tempo inteiro. Anyway, eu gostei da música, mas ainda estou me acostumando a ela. =) That's all, folks! Bons cafés, E- ve- li - ne. =)
Eveline


Poética I 
(Vinicius de Moraes) 


Ouçam aqui: (Vinicius e Bethania)


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.




Eveline
Olá, pessoas.
Como eu disse ontem no meu twitter, eu estava tentando uma conexão aqui no hotel para escrever sobre o meu primeiro dia em Gravatá (PE), mas não deu certo, só consegui hoje.
Anyway, cá estou eu, em lugar super diferente dos quais costumo estar.  Sou definitivamente amante da vida urbana. =)
Vim pra cá não só para fechar esse quase estado de férias que me toma, mas também para me testar diante desse ambiente rural. Estou me sentindo de fato numa fazenda. Têm, obviamente, alguns bichos por aqui e como vocês podem ver, estou adorando dar comida às ovelhas. =) (Eu sou lesa, viu?)
Tenho gostado mesmo é de ficar sentada na frente do lago. Tem sido meu canto preferido aqui. O mudo parece, por uns instantes que é só isso. Tão bom, tão bom.
Então, vim também pra cá para tentar organizar algumas coisas do lado de dentro de mim. Sabe quando você precisa se afastar de tudo para reorganizar as coisas? Eu precisva respirar.
Sei que vai ser pouco tempo, mas ainda assim eu preciso .É que eu sou mesmo cheia de rituais.Preciso sempre fechar as coisas, dentro e fora de mim com algum acontecimento, pode ser o mais bobo que ele seja... uma viagem, um texto, um encontro com pessoas queridas, um copo de vinho... eu preciso fechar esse mês de julho. 
É isso...primeiros dias de agosto eu volto para a estrada, para sala de aula e  para a vida acadêmica, e de alguma forma tudo tem que [ao menos parecer] estar em ordem para que a rotina seja mais leve.
Estou fazendo isso aqui, pensando em algumas coisas, naquelas que doem, naquelas que fazer rir, nas que silenciam.
Tenho lido também. Finalmente comecei a ler "Entrevistas", livro da editora rocco que reúne algumas entrevistas que Clarice Lispector fez no final dos anos 60. Ela precisva de grana para complementar sua renda e acabou aceitando entrevistar algumas celebridades da época, incluindo Lygia Fagundes Telles, Chico Buarque, Fernado Sabino, etc.
Bem, vou indo agora... a preguiça bateu e o frio [amo!] está grande aqui.

Boas viagens, bons ventos e bons cafés...

Eveline Alvarez.
Eveline
Desencontrários 


Mandei a palavra rimar,
ela não me obedeceu.
Falou em mar, em céu, em rosa,
em grego, em silêncio, em prosa.
Parecia fora de si,
a sílaba silenciosa.

Mandei a frase sonhar,
e ela se foi num labirinto.
Fazer poesia, eu sinto, apenas isso.
Dar ordens a um exército,
para conquistar um império extinto.



Paulo Leminski
Eveline
Oi, pessoas...
Então... voltei de São Paulo esta madrugada e agora já estou na estrada debaixo de chuva, ouvido Cat Power indo para o trabalho. Às vezes paro para pensar/sentir como essa vida corre tanto e é tão escorregadia. Tantas coisas se misturam em tão poucos dias.
Minha viagem para Sampa foi [como sempre] ótimaaaaaa. Tantos filmes, lugares, pessoas que gosto... clima tão friooo e ao mesmo tempo me sentia aquecida por dentro... Há tanto a dizer e tanto a silenciar sobre esses dias... sou egoísta a ponto de guadar algumas sensações só pra mim.
Vou indo, aproveitar o lado bom da estrada... Cartola, Stromae, Cat Power e Lady Gaga me acompanham...

Eveline.
Eveline
............... Hoje eu acordei com vontade de fazer tanta coisa, mas nem sei muito bem explicar o quê. As coisas acabam se transformando em silêncio antes mesmo que eu as nomeie. Chegam através de imagens que se confundem com os sonhos que tive durante a madrugada. Fico na cama, olho incansavelmente para o teto e acabo me confundindo mais. Nem sei bem o que foi do sonho, o que inventei ou o que está guardado na memória. Tudo se mistura e se encerra num blues.
............... BB King chega com Blues Boys Tune e tudo vai ficando com cheiro de aconchêgo do lado de dentro. O quarto fica sépia, eu vou sentido o clima, fico querendo frio, penso em tanta coisa, das mais bobas e mais simples.

........... Olho o relógio, ponteiros que correm e eu ainda aqui. Quero ficar, quero que esse instante perdure, quero ouvir Blues Boys Tune o dia inteiro. Quero um cafezinho forte, quero uma folha em branco, quero escrever, mas tudo fica no rascunho da mente, do coração, do email ou na caixa de saída do celular. Eu calo. BB King é que fala através das cordas da guitarra. Diz tanta coisa que me dá um nó. ............... Agora é hora de ir, deixar BB King... tenho muita coisa para resolver. João Pessoa está com um céu lindo. O azul brilha sem timidez, as nuvens estão todas lindas e rechonchudas. O clima está quente como sempre, mas eu vou tentar abstrair essa parte. =) ............... Tenho muito a fazer. A semana vai ser cheia, mas com a promessa de coisas muito boas: um ciclo que fecha na minha vida acadêmica e [mais] uma, na verdade, “A” "THE", minha viagem anual. ............... É isso, bons cafés, bons dias... simbora que a vida não para. ............... Ps. BB King me anima, me silencia, me acalma, me chama, me faz lembrar coisas e inventar outras, me...BB King é desespero, dos bons, daqueles que faz a gente sorrir; ele cria sorrisos que no canto da boca tem um sinal de interrogação.


Eveline Alvarez
Eveline

Pouco mais de 6:30h da manhã e eu já na estrada. Meu destino de hoje é Campina Grande. Indo mais uma vez para a aula do mestrado na UEPB. Ontem estive em Natal, participei do II Colóquio de Culturas Africanas. Ótimo evento e o dia me trouxe horas maravilhosas perto de passoas queridas.
Agora estou por aqui, Elis Regina me lembra que as águas de março já fecharam o verão faz tempo, mas as promessas de vida ainda continuam...
Esses dias têm sido tão felizmente perturbados. Acabei finalmente minha Monografia de Especialização. Nela me debruço sobre a Representação do Negro no filme "Quase dois Irmãos" da diretora Lúcia Murat. Quarta-feira será minha defesa e é fato que estou numa mistura de felicidade, ansiedade e nervosismo...acredito que essa é uma ótima mistura em quase tudo na viida. É bom ficar com as paredes do estômago arranhando.
Outra coisa que tem me deixado em estado de ansiedade é que no dia seguinte da minha defesa estarei mais uma vez indo para minha tão querida São Paulo. Como sempre digo, a Paulicéia Desvairada é necessária ao menos uma vez ao ano. Estou com um pacote de saudade guardado no peito há meses. É uma pena eu apenas poder passar cinco dias por lá dessa vez.
Agora vou ficar por aqui, vendo um sol fumê pela janela. A estrada está silenciosa, eu escutando portished, Paulinho da Viola, radiohead e stromae, mas a verdade é que a trilha dessa semana é do Echo & the Bunnymen.
Bem, é isso, quatro cidades diferentes em quatro dias, muita estrada, muita ansiedade, poucas horas dormidas, Leminski, muitos cafés, sorrisos, palavras que surpreendem, silêncios que provocam saudades, músicas que traduzem os dias, céu azul, sol quente demais e a chuva que às vezes vem para aliviar.
Assim é a [minha] vida agora. Continuo "grávida de futuro".

Bons cafés,

Eveline Alvarez